9 de junho de 2008

Aos meus amigos

Agora enfrento a vida sem
Os medos de outrora.
Sorrateiro em seus braços,
Me ergo alegre no seus
Encantos infantis e sinceros,
Um a um, guardo todos os
Sonhos que tive ao seu lado.
Aguardo o dia em que estaremos
Mais próximos, enfrentando
Inimigos imaginários, e felizes,
Gracejaremos com as possibilidades que
Outrora desejava que se esvaíssem num
Suspiro de momento oportuno.

5 de junho de 2008

ADOREI ESSA FOTO, SÓ TOME CUIDADO PARA NÃO CAIR...







Conflito

Em noites de chuva serena,
A dor do amor vem apertar-me
O coração, desejoso de afeto,
Fazendo com que minh'alma
Fique longe de mim, numa breve
Eternidade.

Tudo muda, por assim dizer,
Mas continua sempre igual.
A beleza de um sorriso, me
É ofuscado pelo grito de agonia
Que insisto em sentir.

Não vejo saída, deveras existir.
E assim, sem saber a verdade,
Sigo em frente, em passos
Descalços e conflitantes,
Procurando meu destino
Errante.

Yuri Mendes 22/06/2000



FRAGMENTOS DE UMA CARTA

Vivo aqui neste ermo agreste
Entre passaros e rozas
Beijando as letras graciozas
Da carta que me escreveste

Quando é madrugada, saio
Pelos campos orvalhados
A encher os meus pulmões cançados
Com toda a seiva de maio

Manhãs de sol, de um sol de ouro,
Céu muito azul, lindo, lindo;
Moitas em flor sacudindo
Aves que cantam em côro;

Aves que, de entre as ramadas,
Dão os bons dias á aurora
Com alegria sonora
De canções que são rezadas.

Sinto o contágio suave
De tudo que me rodeia:
Minh'alma palpita, cheia
De vôos tremulos de ave.

Vim tão triste! E um sopro doce
De viração perfumada
Varre a neblina esgarçada
Dessas tristezas que eu trouce.

Volta-me o sangue... A alegria
Bróta em meu peito doente
Como um lirio surpreendente
Numa caveira sombria.

E espero poder em breve
- Sadio, intrepido e forte -
Minha ezistencia depôr-te
Nessas mãozinhas de neve...

Vicente augusto de Carvalho (Relicario - 1888)

Este é um dos meus poemas favoritos, tive a sorte de ler ele pela primeira vez na sua 1ª edição de 1888.

Perfil

Vicente de Carvalho, advogado, jornalista, político, magistrado, poeta e contista, nasceu em Santos, SP, em 5 de Abril de 1866, e faleceu em São Paulo, SP, em 22 de Abril de 1924.
Poeta lírico, ligou-se desde o início ao grupo de jovens poetas de tendência parnasiana. foi grande artista do verso, da fase criadora do Parnasianismo. A sua produção poética ele próprio destacou poemas que são de extrema beleza, como: "Palavras ao mar", "Cantigas praianas", "A ternura do mar", "Fugindo ao cativeiro", "Rosa, rosa do amor", "Velho tema", "O pequenino morto". Suas obras foram: Ardentias (1885), Relicarios (1888), Rosa, rosa de amor (1902), Poemas e canções (1908), Versos da mocidade ( 1909), Verso e prosa, incluindo o conto "Selvagem" (1909), Páginas solta (1911), A voz dos sinos (1916), Luizinha, contos (1924).

Nota:
Antes que me escrevam reclamando dos excessos de erros de português neste poema, eu esclareço que eu transcrevi tal como está no original de 1888.